As minhas origens... As saudades... Lisboa e Sintra


Até aos meus 18 anos, a minha vida foi vivida em Sintra-Lisboa, Lisboa-Sintra. E mais em Sintra que em Lisboa. Fomos viver para as Mercês quando eu tinha quatro anos, depois fomos para Rio de Mouro quando eu tinha +/- 13 anos, e Rio de Mouro (Rinchoa) foi onde eu gostei mais de viver.



Também estudei na Escola Secundária de Matias Aires no Cacém, e foi onde eu mais gostei de estudar.


E por Sintra onde eu ia sempre que podia passear.



A Quinta da Regaleira é fantástica e inesquecível.


Sintra TODA é mágica e inesquecível.


E Lisboa? Lisboa é a minha terra, quem me viu nascer e crescer, o Castelo de São Jorge onde eu fui tanta, mas tanta vez e nunca me fartei, andei no Externato das Pedras Negras (que já nem existe, nem acredito) até aos 9 anos. Ficava a caminho de quem vai para o castelo, numa daquelas ruazinhas com pedra de calçada, casas antigas e estreitas...



Há uns meses atrás vi por acaso, estando com a tv ligada baixinho enquanto lia, só para fazer companhia, ouvi "Lisboa" uma série de vezes até que olhei e estava a dar uma entrevista sobre Lisboa e as pessoas que amam Lisboa, mesmo as que não eram originais de Lisboa, nem sequer de Portugal. E chorei.


Quem me conhece sabe o raro que é eu chorar. Mas quando choro, choro. E chorei. Chorei muito. A dor que as saudades causam conseguem ter uma força física incrível.

Escolhi Leiria para viver, depois de ter voltado de Espanha (onde estão agora a viver os meus pais) pois eu inicialmente fui viver com os meus avós para Lisboa. Mas já é o mesmo... Está tudo diferente... Sinto que uma parte essencial de mim me foi roubada... Ou talvez tenha sido eu a mudar. Ou tudo mudou... Eu, Lisboa, Sintra... Todos mudámos. Tudo mudou.


Nesta entrevista, quando ele diz: "...com as carcaças na mão", deu-me um "baque" no peito.
Outra coisa que eu sinto tanta falta: Em Espanha era: "No te entiendo", e muitas vezes diziam só para meter nojo, pois eu falo espanhol fluente, nas outras cidades todas de Portugal onde já vivi e passei, eu utilizar expressões como "quero uma merendinha. Quero uma napolitana. Quero uma bola. Quero uma carcaça. Quero uma boca. Quero uma imperial, ..." e não sabem o que é! Porque lhes dão outros nomes! Ou eu usar expressões típicas da minha terra e não entendem... Sinto-me deslocada.
"Lisboa é a única cidade do mundo que tem sete colinas. As outras não têm. Não há!"...
"Inicialmente, para quem não conhece os Lisboetas, as pessoas são um bocado fechadas. Mas, se tivermos uma aproximação correcta, e se falarmos com as pessoas, toda a gente é super simpática e acolhedora."
Isso é uma das porras que mais nojo me mete, as vezes que já ouvi: "As pessoas de Lisboa são frias".
São frias? Talvez. Eu sou fria. Mas não era. Foi a minha vida que me tornou assim, e não o facto de ser de Lisboa.
Que as pessoas de Lisboa não são simpáticas, são frias? Os Lisboetas são das pessoas mais simpáticas, divertidas e solidárias que já conheci. E amigas.

Agora se me dizem: "Ah e tal fui passear um dia a Lisboa e são tão frias, distantes, que confusão".
E quantos Lisboetas viram a passear um dia em Lisboa? Pensem antes em quantos estrangeiros, turistas, visitantes, pessoal de negócios, pessoal de passagem que viram! Agora, vaiam aos jardins, aos velhotes sentados nos bancos, o pessoal não que anda atarefado de um lado para o outro, mas que anda a passear calmamente, o atendimento nos hotéis, restaurantes, cafés... Procurem Lisboetas de quem falar, e não pessoas que por lá passam, ok?

Agora, que há Lisboetas filhos da truta, claro que há! E em que cidade do país e do mundo não os há?!
Porra, já vivi e trabalhei em tantas cidades de Portugal e fora de Portugal, e porra o que não me faltou foi filhos duma grande trutaque nada tinham a ver com Lisboa, é mesmo assim em bom Português (de Lisboa!).

Uma vez vi uma entrevista que era Lisboa vista pelos Espanhóis ou algo do género. E uma frase que nunca me esqueci, tanto que na altura foi quando tinha ido viver para Espanha:
"Lisboa é sentir saudades dela, estando nela."





Tenho saudades. Não só dela como está agora, mas como era antes, como tudo era, quando vivíamos lá e tinha a minha família quase toda lá, tinha tudo ou em Sintra, ou em Lisboa. Agora está tudo espalhado, incluindo eu. Sou a única pessoa da minha família TODA, primeiro grau, segundo, terceiro, ao infinito aqui. Aliás acho que nunca ninguém da minha família antes de mim cá tinha posto os pés.

O meu pai trabalhou parte da vida na Avenida da Liberdade. A minha mãe, uma parte na Praça da Figueira, outra na Rua do Ouro.
Eu mesma já trabalhei na Rua Augusta, das mais movimentadas e conhecidas de Lisboa.
A minha avó vive ao pé de Santa Apolónia e a uns quantos metros da Feira da Ladra, quem já não ouviu falar?









Eu tenho raízes muito profundas com Lisboa. E com Sintra também.


A questão é que... Desde que me emigrei com os meus pais, e a família foi para cada uma para os eu lado, que a minha madrinha, com quem eu tinha uma ligação muito grande e com quem passava muito tempo, as férias de Páscoa, Natal e outras morreu. Era irmã da minha avó. Agora que os meus pais e irmão estão em Espanha, tenho uma avô, um avô, um tio, uma tia, outra tia e um primo em Lisboa. A minha família é pequena. Separada ainda mais pequena se torna.

Quando vou a Lisboa, agora destas últimas vezes, recentemente, é raro ver Lisboetas. Vejo montes de turistas, estrangeiros, pessoas estranhas, lojas estranhas, tudo estranho. Tudo diferente, tudo mudado.

As pessoas habituais, as lojas habituais, os conhecidos habituais.... Fecharam. Morreram... Foram embora...
Quando fui visitar o Cacém, Rio de Mouro e olhei para a casa onde vivíamos, à venda, vazia, abandonada...
Quando fui visitar Sintra, sozinha...
Senti-me distante... Senti-me afastada... Senti-me perdida... Senti que tinha perdido o lar, o coração, a essência, a infância, a magia... Pessoal amigo e conhecido da escola, dos quais só tenho contacto (e pouco) com duas. O resto está "por ai". Tal como eu....
Parece que foi noutra vida...

No entanto, a minha Lisboa é a minha Lisboa. A minha Sintra é a minha Sintra.

4 comentários:

  1. Como te entendo... As saudades de Lisboa seguem-nos em qualquer parte e visitar a minha cidade tem sempre um sabor agridoce. Doce por me sentir em casa, amargo por saber que terei de partir.

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  2. Fiquei com curiosidade para conhecer melhor Lisboa mas sobretudo ir à Sintra conhecer a quinta da regaleira. Acho lindo em fotos e tenho a certeza que vou gostar muito mais ao vivo.

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